quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

João Guimarães Rosa

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens."

O filme “Tropa de Elite”, a triste e decadente polícia brasileira.

Se você já escutou falar sobre o filme “Tropa de Elite” certamente é brasileiro, se não é um “cara” bem informado que não se conforma com as migalhas de notícias que recebe.
Desde o meu canto, acabo de assistir este drama humano. Não sei quando chegará por estas bandas para ser exibido no circuito comercial , mas com certeza vai ter o mesmo êxito que está tendo no Brasil.

O filme mais que retratar a realidade brasileira do lado dos policiais, dá uma “geral” no penoso valor humano que ainda resta nesta pobre e triste nação da violência, que é o Brasil.

O policial Nascimento (Wagner Moura), protagonista do filme, orgulhoso de pertencer ao BOPE, faz juz a sua função torturando e matando vagabundos nos morros do Rio de Janeiro. Cheio desse orgulho que supera a realidade dos filmes norte-americanos, quando vemos as bandeirinhas dos “gringos”, e nos sentimos aliviados, o filme brasileiro do momento, nos transporta a um mundo da salvação nos braços do BOPE.

O filme que hoje deixa extasiado o Brasil com seus becos, e passagens violentas denotação de um imaginário coletivo que beira a banalidade e a barbárie é um trailer de um cineasta que com um intuito até humano de mostrar o lado crítico de um policial nas ruas de uma cidade perigosa (coisa já mostrada em inumeráveis filmes), entra na contradição de uma cultura da morte que não tem outra saída que mostrar o seu lado nazista.

Não sei se foi culpa do cineasta, ou da própria temática social retratada, mas acho que o sentimento mostrado no filme é de “O BOPE é o único que pode salvar ”, traço nazista, do qual não supera o racismo com a cor e a pobreza. Todos podem ser boas pessoas como é o caso do Matias (André Ramiro), e que apesar de tudo (negro), ele é tão bonzinho. Isso é bom, principalmente por que no cinema brasileiro nunca se mostra o policial negro como homem trabalhador e bom. Outro acerto do José Padilha.

Não é de hoje que falar da violência nas favelas do Rio de Janeiro dá ibope, mas é importante notar que desde de “Pixote”, filme de Hector Babenco de 1981, o Brasil vem subindo nessa decadente estatística de país violento nas mãos do narcotráfico. Violência daqui, filme de lá. E vamos buscar o oscar.

Ficha Técnica
Título Original: Tropa de Elite
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Site Oficial: www.tropadeeliteofilme.com.br
Estúdio: Zazen Produções
Distribuição: Universal Pictures do Brasil / The Weinstein Company
Direção: José Padilha
Roteiro: Rodrigo Pimentel, Bráulio Mantovani e José Padilha
Produção: José Padilha e Marcos Prado
Música: Pedro Bromfman
Fotografia: Lula Carvalho
Desenho de Produção: Tulé Peak
Figurino: Cláudia Kopke
Edição: Daniel Rezende

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A Saga da Mordaça Cubana

Em 1868 Céspedes promoveu um levante contra o governo espanhol e proclamou a independência de Cuba. É lógico que o intento não deu certo. Não se combatia a Espanha com duzentos homens despreparados e escravos libertados de supetão.

As tropas espanholas retomaram o controle, Carlos Céspedes foi deposto, e a Espanha deu continuidade à exploração dos metais preciosos, e ao controle sobre os latifúndios açucareiros.

Depois que um navio americano explodiu no porto cubano, os Estados Unidos tiveram o álibi para declarar guerra, e expulsar os espanhóis, colocando-se como a “tábua de salvação” de Cuba.
A cobrança veio logo a seguir. McKinley, presidente dos Estados Unidos à época, assinou uma Resolução declarando Cuba independente, e nomeou o general americano Johon Brooke governador, que teve a incumbência de implantar medidas econômicas que beneficiaram os Estados Unidos, e os americanos que se instalaram na Ilha. Posteriormente fez incluir na Constituição cubana a ”Emenda Platt” garantindo aos americanos interferirem no país quando seus interesses fossem ameaçados.

Depois de muitas desilusões, os movimentos sociais se proliferaram, e culminou com a ascensão de Fidel Castro ao poder.
Foi então que os americanos raivosos excluíram comercialmente Cuba do mapa, e o açúcar produzido sobrou nas mãos da União Soviética por interesse da guerra fria com os Estados Unidos. O regime de Fidel conseguia sobreviver devido o interesse da Rússia e dos seus parceiros em ter um território próximo à América, para instalarem as suas bases militares.

Agora, fora o ditador Hugo Chaves que fornece petróleo subsidiado a Cuba, interessado em aumentar a influência política contra os americanos, os demais tolerantes e simpáticos ao carismático Fidel trocam, apenas, abraços fraternos.
O exemplo da Espanha, dos Estados Unidos e da União Soviética poderá ser seguido pela Venezuela, para impedir as mudanças esperadas pelo mundo, devido à fenda provocada pela enfermidade do homem que fez o povo cubano calar-se por quase cinqüenta anos.
Dos cubanos não se pode esperar muito, já que não conhecem nada mais do que é convenientemente permitido pelo regime.

Afinal, “Quantos anos devem algumas pessoas existir até que sejam permitidas a serem livres?” - Blowin’in The Wind - Bob Dylan.