O filme Ensaio Sobre a Cegueira dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles consegue retratar com fidelidade os questionamentos do livro de José Saramago que lhe serviu de roteiro.
Quem leu o livro antes de ver o filme, certamente aproveita melhor a história.
Enquanto a leitura permite a interrupção conveniente para saborear alguns momentos de reflexão sobre o texto, o filme envolve o expectador conforme a visão do diretor.
Para ser justo, o Meirelles consegue dar fidelidade á história, contudo o livro permite imaginar e divagar conforme as experiências, os valores éticos, e os momentos emocionais de cada leitor.
A linguagem do filme é mais leve que a do livro, até porque estamos a falar de José Saramago. Contudo, Fernando Meirelles consegue com maestria transformar em imagens o intrigante e reflexivo texto de Saramago.
A cidade hipotética criada pelo autor, cuja população foi tomada por uma cegueira epidêmica e misteriosa, mostra a capacidade do ser humano de adaptar-se a situações adversas; a pouca importância dada pelos governantes às minorias; a formação de grupos para defender interesses comuns; a prática do oportunismo; o afloramento do egoísmo; e o quão degradante pode ser o mundo com a ausência de serviços aparentemente simples com a energia elétrica, o abastecimento de produtos alimentícios, e a água tratada.
A mulher do médico, personagem representada pela atriz Julianne Moore, única pessoa da cidade que dribla a cegueira, certamente foi salva da peste pelo autor Saramago para que, através dos seus olhos, poder descrever os acontecimentos.
Fora o relato dado, como tarefa, à mulher do médico age em determinados momentos com emoções naturais de um ser humano em situações adversas, cujos valores morais e sociais são mudados rapidamente de acordo com as situações, a exemplo do que acontece nas catástrofes e nas guerras.
Possivelmente, na personagem está incorporado o próprio autor José Saramago.
A experiência de ter lido o livro e visto o filme é sem dúvida enriquecedora.
Proporciona uma visão da não visão, e quanto o ser humano está vulnerável aos ensinamentos, para não dizer castigos, da natureza.
O filme tem no seu elenco além de Julianne Moore no papel da "mulher do médico", o conhecido Mark Ruffalo como "médico", a brasileira Alice Braga, que já atuou em mais de dez filmes inclusive em Cidade Baixa e Cidade de Deus, no papel da prostituta "Mulher dos Óculos Escuros", o experiente Danny Glover no papel do "Velho da Venda Preta", além de Gael García Bernal que atuou como Che Guevara no filme Diários de Motocicleta no papel de "Rei da Ala 3", e o outro experiente ator Maury Chaykin, que já trabalhou em mais de cento e quarenta filmes, inclusive Dança com Lobos, no papel do "Contador".
Observe que nenhum dos personagens possui nome.
O filme merece ser visto e discutido, assim como o livro que lhe deu origem.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Ensaio sobre a cegueira
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
As Andorinhas de Cabul
O romance “As Andorinhas de Cabul” escrito por Yasmina Khadra trás uma história curiosa.A trama escolhida pelo autor para relatar situações vividas pelo povo afegão submetido aos talebans envolve dois casais que destoam do relacionamento tradicional, quando os homens declaram sentimentos amorosos por suas esposas.
Nos últimos capítulos, por situações diferentes, os destinos dos casais se entrelaçam, e a maior surpresa aparece quando Mussarat, esposa de Atiq Shankat, percebe a angustia do marido por ter se apaixonado involuntariamente por Zunaira, esposa de Moshen, e decide abrir mão da própria vida para tentar fazê-lo feliz.
O autor consegue mostrar de forma sutil e inteligente que o ser humano, apesar de agir conforme os preceitos religiosos possui sentimentos inerentes à própria natureza, independente da doutrina que pratique.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Atentado na China
Dezesseis policiais morreram e outros ficaram feridos após um atentado na cidade de Kashgar, distante quatro mil quilômetros de Pequim.O governo chinês diverge de grupos mulçumanos que querem a independência da província que abriga a cidade de Kashgar.
Divergir é um direito humano. A forma é questionável!
No livro “O Atentado" escrito por Yasmina Khadra ele cita: “Podem te tirar tudo, teus bens, teus mais belos anos, todas as tuas alegrias e todos os teus méritos, até tua última roupa – sempre restarão teus sonhos para reinventar o mundo que te confiscaram”.
Amin, o personagem que narra à história, foi surpreendido com a esposa envolvida em um atentado, que resultou na morte de dezenove pessoas, três a mais do ocorrido hoje na China.
Shiem, esposa do médico Amin amarrou bombas na cintura, tronando-se um kamikaze, e levou consigo um monte de jovens inocentes que festejavam um aniversário em um restaurante, por simples envolvimento com terroristas fundamentalistas.
Sabe-se que ao colhermos uma rosa podemos estar enfeitando uma sala, contudo estamos ajudando a destruir um jardim...
No caso de um kamikase a rosa não continua rosa, tampouco o jardim retoma a sua beleza. Todos são destruídos: os que vão e os que ficam.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Entre o Céu e a Terra
O que modifica a visão individual e divergente sobre o mesmo tema são as experiências particulares que contradizem as formas de ver coletivamente.Enquanto as coletivas tendem serem superficiais, as individuais, certamente, são mais sofridas, e por isto melhores analisadas pelos indivíduos nos seus detalhes. Terminam sendo mais enriquecedoras.
Soluções para temas coletivos tomadas por administradores, em sua maioria, com visão cartesiana, racionalista, e dualista tendem desconsiderar as experiências individuais e minoritárias. Move a sensibilidade do administrador para algo que ignora necessidades individuais de minorias as quais sofrem conseqüências, que se atendidas não interfeririam financeiramente, politicamente, ou administrativamente no todo.
Enquanto a visão cartesiana fica dividida entre o “sim” e o “não”, a holística engloba as forças e experiências do coletivo formado pelo individualizado e pelo particular apesar da visão global, como contexto importante para tomada de decisões.
Neste caso, entre o “sim” e o “não” cartesiano as decisões são enriquecidas na tentativa de descobrir o que Hamlet, personagem de Shakespeare disse: "Existe mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor nossa vã filosofia..."
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Que bicho é o teu?
Caso você não fosse humano que animal gostaria ser?Escolha com toda liberdade que a sua imaginação lhe permitir.
Guarde a escolha para si.
Agora que você já escolheu ser um cavalo, um leão, uma cobra, uma barata, um beija-flor, um peixe, uma girafa, um porco, uma galinha, um macaco, um tatu, um elefante, um tigre, um javali, ou sei lá mais o que, responda a seguinte questão:
“Por que, não sendo humano, eu gostaria de ser o animal... “?
Provavelmente, você escolheu o animal que possui características que você não as tem, e gostaria de adquiri-las.
Agora que você entendeu o motivo da pergunta, podemos dar continuidade ao tema.
Cada um de nós deseja possuir características que apreciamos em outras pessoas, contudo se lhe perguntarem se você gostaria de ser outra pessoa, certamente você dirá que gostaria de ser você mesmo. É uma questão de auto-estima.
Há algumas exceções. Por exemplo, se perguntasse a algumas mulheres se gostariam de ser a Gisele Bündchen, muitas irão responder que sim. E não se importariam em trazer a reboque o Leonardo de Di Caprio ou o Ton Brady.
Caso se questione os homens se gostariam de ser o Reynaldo Gianecchini, alguns responderiam que sim, outros retornariam a pergunta questionando se tinham que morar com a Marília Gabriela. Eis aí um problema! A maioria dos homens não gosta de mulheres que demonstram inteligência. Sentem-se inseguros. Preferem as que se passam por “burras”, mesmo quando não as são.
Voltando à questão do animal escolhido, certa vez fizeram-me esta pergunta. Não demorei a responder: Leão!
Veio em seguida: “Por que Leão”?
Respondi: Porque ele é majestoso, respeitado, faz várias cópulas por dia, determina que cacem quando tem fome, e não tem ansiedade que a vida moderna nos exige.
Viver relaxadamente sob uma árvore frondosa, ter minha juba ao vento, ter contato com a natureza, ter um harém à disposição, comer quando tem fome, e beber quando tem sede, é simplesmente um desbunde. Tenho a impressão que eu estava em um momento da vida querendo tranqüilidade...
Atualmente, sou quase um leão. Porém, não faço sexo várias vezes ao dia por não ter disposição, não tenho um harém por questões de fidelidade conjugal, não como animais silvestres porque defendo a natureza, não como quando tenho vontade para não engordar, e a minha juba cai mais do que cresce.
Restou para ser um “leão” apenas beber água a hora que tenho vontade.
Enfim, “leão” que nada!
Eu tenho é que me acostumar com a famosa “Lei da Gravidade”...

